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Cinema Relacional

Relações e Ecrãs

Uma leitura relacional do filme de Phil Lord e Christopher Miller, baseado no romance de Andy Weir.

Paula Guimarães

Paula Guimarães

Consultora do Relational Lab

Jul 20262 min de lectura

O filme Project Hail Mary, de Phil Lord e Christopher Miller, é mais do que ficção científica: é uma reflexão sobre como as relações, mesmo entre espécies diferentes, se podem tornar o principal recurso de sobrevivência.

Sem levantar o véu sobre a história e o seu desenlace, o filme Project Hail Mary, produzido e realizado por Phil Lord e Christopher Miller, com roteiro de Drew Goddard e baseado no romance homónimo de 2021 de Andy Weir, é mais do que uma narrativa de ficção científica.

Trailer oficial de Project Hail Mary

É uma reflexão sobre a forma como as relações humanas, e até as relações entre espécies diferentes, podem tornar-se o principal recurso de sobrevivência.

A história começa com uma aparente solidão. O protagonista desperta sem memória, isolado no espaço, confrontado com a vulnerabilidade absoluta. Esta situação simboliza uma realidade frequentemente observada na vida das pessoas: quando os vínculos desaparecem ou parecem inacessíveis, a identidade, a esperança e a capacidade de decidir ficam fragilizadas.

O ponto de viragem do filme reside na relação que se estabelece entre os dois protagonistas. Apesar das diferenças biológicas, culturais e linguísticas, ambos conseguem construir confiança através da curiosidade, da escuta, da cooperação e da reciprocidade.

Sob esta perspetiva, o filme ilustra vários princípios da abordagem relacional: a interdependência enquanto condição de sobrevivência, o cuidado mútuo como responsabilidade recíproca e não como ato unilateral, e a capacidade de ultrapassar o medo do desconhecido através do encontro.

A inteligência resolve problemas, mas são as relações de confiança, cooperação e cuidado que tornam possível superar as crises mais difíceis.

A verdadeira esperança não reside apenas na tecnologia ou no conhecimento científico, mas na capacidade de criar vínculos que transformam indivíduos isolados numa comunidade de apoio mútuo.

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Paula Guimarães

Autor

Paula Guimarães

Consultora do Relational Lab

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