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Qualidade Relacional

Em busca da excelência

Rui Marques

Rui Marques

Diretor Executivo, Relational Lab

Ago 20253 min de leitura

Quando regressamos de férias e preparamos um novo ciclo, procuramos algo que nos inspire. A busca da excelência pode ser uma boa escolha — mas precisa de ser bem interpretada. «Para o bem de todos, o melhor de cada um.»

Quando progressivamente começamos a regressar de férias, e a preparar o arranque de um novo ciclo, procuramos algo que nos inspire e que possa servir de norte. A busca da excelência pode ser uma boa escolha, mas precisa de ser bem interpretada. Recupero, a propósito, um slogan que foi usado numa campanha publicitária do Continente, em 2020, em plena pandemia, e que dizia «Para o bem de todos, o melhor de cada um». Aproveitava-se, nessa altura, para relembrar que, apesar do confinamento geral, muitos — para além dos profissionais da saúde — continuavam a ter de trabalhar para assegurar o funcionamento das cadeias de abastecimento.

Vale a pena regressar a este roteiro, começando pela convicção de que a excelência implica — sempre — que cada um queira e possa dar o melhor de si. Isso corresponderá a fatores intrínsecos e extrínsecos.

Há algo que estará, incontornavelmente, na esfera da responsabilidade pessoal e que obriga a que se vá além da preguiça ou do comodismo e que se procure, num exercício de autoconhecimento e autoconfiança, conhecer em que pode ser melhor e mais útil, bem como onde concretizar esse objetivo. É uma competição consigo mesmo, não com os outros. Um caminho de «perfectibilidade». Mas não é só isso. No contexto específico de cada um, e nos recursos que pode mobilizar, precisa de encontrar aliados e alavancas. Por isso, para ser excelente, precisamos sempre dos outros. Que nos apoiem, que nos desafiem e que nos amparem quando tentamos e falhamos.

Ninguém é excelente sozinho, nem ninguém se deve consolar da sua excelência em comparação com outros, num qualquer ranking da vida.

Esta perspetiva de excelência, enquanto melhoria individual, no que me é específico, só se define como verdadeiramente desejável, se se orienta em função do bem de todos. Se procura jogos de soma positiva, em que a minha excelência individual contribui para a excelência coletiva. Em que ninguém perde demasiado, nem ganha tudo.

Por isto, não é fácil trabalhar a verdadeira excelência, nem desenvolver a meritocracia, sem a sua versão tóxica e enganadora que por aí pulula. Precisamos de organizar as nossas escolas, as nossas organizações e as nossas comunidades para a construção de relações de excelência com o melhor de cada um, para o bem de todos.

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Diretor Executivo, Relational Lab

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